terça-feira, 27 de setembro de 2016

Como a paz é possivel.


Não sabemos muitas vezes definir a palavra paz, mas quando a ouvimos, algo de bom ressoa em nossos corações. Onde há paz, há riqueza em todas as suas dimensões: social, econômica, ecológica, e pessoal. 
Mas embora seja difícil definí-la, podemos pelo menos refletir sobre o que nos põe fora dela e o que nos aproxima, integrando-a. Na sabedoria ancestral são reconhecidas quatro atitudes que nos distancia de sua luz :
A primeira atitude que a torna longe de nossa presença pacífica é a ideia de separatividade. Os mestres de sabedoria ensinam que somos uma só vida desdobrada em muitos, que embora tenhamos uma individualidade, em essência somos uma mesma respiração desa Vida. Mas criamos de nossas individualidades segregações, visões de mundo e sobre nós mesmos  que geraram conflitos diversos, que tem trazido desde tempos imemoriais toda sorte e graus de dificuldades nos relacionamentos e convivências.
A  segunda atitude que nos distancia da paz é aquele aspecto julgador que habita em cada um de nós, que muitas vezes acusa sem discernimento ou fundamentado em um jogo de rejeição mútua por excesso de apego aos próprios pontos de vista, gerando conflitos que vão desde discussões pessoais até guerras nacionais. 
A terceira atitude que nos distancia da paz é a culpabilidade. Pois por julgar culpamos, somos culpados e nos culpabilizamos; carregamos as vezes  por toda uma vida este tipo de sentimento que paralisa nossa evolução, pois independente de estarmos certos ou errados em situações que resultam tais sensações, ela nos destitui de clareza para conosco mesmo e com o outro. 
A quarta atitude que nos distancia da paz é tentar resolver todos os tipos de conflitos exclusivamente pelo viés punitivo. Punimos e somos punidos por situações que poderiam ser resolvidas através de diálogos e ações reordenadoras. Existe a punição que corrige ao frear erros, mas existe também a punição que não oportuniza a transformação e reordenamento da situação em questão; e quando nos viciamos em culpar e ser culpados, não conseguimos discernir uma coisa da outra.
Claro que felizmente existem as atitudes que nos aproximam da paz. Na verdade elas nos tornam a própria paz.  A primeira delas é a atitude de sorrir. Mesmo diante das adversidades, respirar fundo e buscar um sorriso de retomada do rumo da vida os traz paz, nos enriquece com um impulso para gerar uma nova oportunidade.  As vezes rir de si mesmo libera culpas e auto-punições descabidas. Sorrir expressando-se para os outros e para si mesmo preenche de uma energia de paz e promove sempre abertura para algo bom. 
A segunda atitude que nos aproxima da paz é exercer um olhar apreciativo sobre aquilo que nos é estranho ou aparentemente oposto. Apreciar não é concordar. É conhecer sem julgar. A atitude apreciativa elimina muitos mal entendidos e conflitos desnecessários.
A terceira atitude que nos aproxima da paz é a inclusão. Ela quebra a tirania da desigualdade, da soberba e da prepotência. A inclusão redime e nos põe em um estado de interatividade propositiva. 
A quarta atitude que nos aproxima da paz é a partilha. Ao invés do debate que divide,  uma partilha que integra. Ao invés do acúmulo excessivo, uma partilha que equipara. Ela promove a troca de experiencias, sapiências, expande possibilidades, estimula a co-criação. 


Na aproximação e aceitação da paz como uma cultura cidadã, nos enriquecemos mutuamente, individualmente e coletivamente. Na minha opinião deveria ser ela a indicadora de riqueza de uma civilização.