Txukarramãe

No início dos anos 90 tive o privilégio de compartilhar uma mesa redonda com Orlando Villas Boas no SESC de Santos, em São Paulo. Naquele momento eu e minha esposa, Elaine Silva, promovíamos ações de apoio á aldeia guarani de Boracéia, próximo á Bertioga, de caráter de prestação de assistência social.
Na ocasião, Orlando narrou suas aventuras na histórica marcha para o Oeste e, ao saber que eu me posicionava como um servidor da comunidade guarani ele disse:
- mas você não tem cara de guarani, você tem jeito de txukarramãe.
- E o que é um txukarramãe? - Perguntei.
- É um guerreiro sem arco e sem flecha, era como chamavam os parentes vizinhos, pois eles não utilizavam estas armas.
- Então tudo bem, sou um guerreiro sem armas, um guerreiro da paz!!!
Desde então me posicionei como um servidor da paz; mas isto causou depois uma confusão em relação á minha origem étnica. pois os jornais começaram a noticiar que eu era um txukarramãe, mas não no sentido figurado.

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