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PRESERVANDO SAPOS, BAGRES E O FUTURO

Existem pessoas que crêem e outras que divulgam a falsa idéia de que índios e ambientalistas querem proteger bagres, pererecas e árvores em detrimento ao progresso nacional e á inserção do Brasil entre as nações do primeiro mundo. Jornais comunicam que grandes obras como hidrelétricas, portos, rodovias e linhas de transmissão elétricas tiveram problemas de liberação ambiental por causa de sapos e flores.
Na verdade a questão ambiental que se propõe para muitos destes casos vai além da questão biológica. Por trás de diversas obras que dizem ser o caminho para o desenvolvimento se encontram graves poluições sociais e econômicas, como por exemplo: a dos prejuízos causados por superfaturamentos, pela falsa necessidade de determinados projetos, pela falsa visão estratégica em relação á determinadas propostas, entre outros males.
Cuidar do ambiente inclui cuidar do dinheiro público que se gasta, do zelo na gestão pública, da observação da ética de líderes e dirigentes das diversas instâncias governamentais e exigir um desenvolvimento com planejamento e sustentabilidade.
Cuidar do ambiente inclui também cuidar das gerações futuras, da qualidade de educação e da vida que queremos ver manifestado no mundo, em nossas famílias e em nossas casas.
Existe um velho ditado indígena que diz que para cada passo que damos devemos pensar no que ele interfere por sete gerações. Hoje em dia temos tecnologia, especialistas e recursos suficientes para realizarmos um desenvolvimento que pense considerando os nossos tataranetos. Isto é o que eu defino como a verdadeira sustentabilidade.
O sapo que coaxa no rio talvez esteja esbravejando acerca da arrogância e avareza humana, que evoluiu em tantos aspectos, mas em muitos não vale o que come. Já o bagre talvez medite sobre a condição humana, como a única espécie capaz de destruir a si mesma, por uma ambição monetária ou de poder, que se esvai com o tempo. E as árvores? Ah, as árvores, pra que servem?
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