Índios e meio ambiente

Vinte e cinco comunidades indígenas do Alto Rio Negro estão fazendo uma campanha que branco nenhum pode botar defeito. Tukanos, tuyukas, dessanos e muitas outras etnias já recolheram, desde 2005, por volta de 25 mil pilhas e baterias. As pilhas estão vindo para Manaus, de barco, para serem entregues ao programa Giro Ambiental, que realiza uma campanha permanente de conscientização.

Os moradores das comunidades indígenas do Alto Rio Negro consomem uma grande quantidade de pilhas, por conta dos equipamentos utilizados na pesca noturna. A lanterna, portanto, é um grande aliado na hora de praticar essas atividades. Por conta disso, são centenas de pilhas descartadas todos os meses e que não estavam tendo o descarte correto.

“Apesar de haver outras tecnologias, o acesso dessas comunidades às pilhas é mais fácil. O nosso objetivo é reduzir o impacto ambiental que elas causam no meio ambiente”, detalhou o administrador do Instituto Socioambiental (ISA), Marcílio Cavalcante. O órgão é ligado à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).

Antes da iniciativa, os indígenas davam outro destino às pilhas. “Mas era perigoso. Eles usavam a substância que existe dentro das pilhas e preparavam uma tinta preta para pintar objetos”, revelou. “Além disso, muitas crianças brincavam com as pilhas, além de outras serem jogadas em qualquer lugar, o que causava contaminação de igarapés e lençóis freáticos”, ressaltou Marcílio.

Depois de uma conversa com as comunidades sobre os perigos do lixo químico, os indígenas começaram a juntar as pilhas espalhadas. “Essas baterias estão sendo depositadas dentro de tubos de PVC, medindo 1,50m, e tampadas”, detalhou Cavalcante. Os tubos são enviados a São Gabriel da Cachoeira, onde aguardavam descarte.

Depois de saber sobre a iniciativa do projeto Giro Ambiental, comandado pelo jornalista Adão Gomes, o tio Adão, os coordenadores do ISA-Manaus souberam exatamente o que fazer. “Eles entraram em contato comigo e agora estamos negociando o transporte das pilhas até Manaus. Quando chegarem aqui, as pilhas serão armazenadas na caçamba do ‘Giro’, e ficarão ali até atingirmos a marca de 150 mil unidades”, completou Tio Adão.

As comunidades, localizadas no rio Tiquié, são Serra de Mucura, Pirarara e Acará-Poço, Cunuri, Iraity, Boca da Estrada, São Luiz, Duhtura, Trovão, Floresta, São José I, II e do Meio, Santa Luzia, Maracajá, Santo Antônio, Bela Vista, São Domingos, São Paulo, São Tomé, Santa Rosa, Jabuti, Boca do Sal, Caruru, São Pedro, Cachoeira Comprida, e Fronteira. A iniciativa dessas comunidades, ressalta Cavalcante, faz parte do manejo ambiental delas próprias, e não conta com o apoio das autoridades competentes para coletar lixo. “Aliás, não há qualquer política relacionada à coleta ou destinação do lixo nas comunidades indígenas”, lamentou

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