Caboclos querendo ser ingleses

É preciso rever a idéia de que somos um país que descende, predominantemente, da Europa e dos europeus. Em quase um século após a carta que é tida como certidão do nascimento do Brasil, não havia mulher européia por aqui. Sim, os gigantes paulistas que empunhavam as bandeiras eram mestiços. A língua tupy predominou por estas terras até o final do império, quase já no século XIX, e com ela, hábitos e maneiras de comportamentos se fundiram em um jeito brasílico de ser e de se expressar.
Até a década de 90, nos registros de nascimento, de identidade e nos recenseamentos, o cidadão tinha como opção, se não era branco, nem amarelo e nem negro, de declarar-se pardo. E como vocês sabem, de noite todos os gatos são pardos. Curiosamente, quando o IBGE permitiu a declaração dando referência ao termo “indígena”, aumentou a população principalmente os que moram em áreas urbanas.
Segundo o censo, em 1991, o percentual de indígenas em relação à população total brasileira era de 0,2%, ou 294 mil pessoas no país. Em 2000, 734 mil pessoas (0,4% dos brasileiros) se auto-identificaram como indígenas, um crescimento absoluto, no período entre censos, de 440 mil indivíduos ou um aumento anual de 10,8%, a maior taxa de crescimento dentre todas as categorias de cor ou raça. O total do país apresentou, no mesmo período, um ritmo de crescimento de 1,6% ao ano.
Apenas 0,32% dos indígenas do País conseguem superar o preconceito e ingressa no ensino superior.

Comentários

  1. Ao Kaká
    Com meu abraço,
    Marilia Freidenson

    Só para ilustrar: Sergio Buarque de Holanda cita o Padre Antonio Vieira no texto A Língua Geral em São Paulo: “É certo que as famílias dos portugueses e índios em São Paulo estão tão ligadas hoje umas às outras ... que a língua que nas ditas famílias se fala é a dos índios.”

    In Schaden, Egon; Leituras de Etnologia Brasileira - Comp. Editora Nacional - São Paulo, 1976 - p. 410


    Um relatório escrito em São Paulo por volta de 1692, dizia: “os filhos primeiro sabem a língua do gentio do que a materna.” Isto é, a portuguesa.

    Relatório do Gov. Antonio Pais de Sande - Anais da Biblioteca do Rio de Janeiro 1921, p. 199

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