Havia o tempo da memória da unidade.

Um dos primeiros livros escritos por um autor indígena tem por título: "Antes o Mundo Não Existia"; e neste momento não vou me lembrar o nome do autor, mas prometo que irei falar sobre ele novamente; sei que é do povo Dessana, lá do alto rio Negro, na sagrada imensidão do Amazonas. Este livro traz a visão deste povo sobre a criação do mundo, entre outras coisas. E em essência ele diz que, uma Avó ancestral e mítica cuja extensão era o vazio, principia, através do sopro de seu cachimbo e sentada em um banquinho criado do nada vivificante, a manifestar as coisas que viriam a existir.
Neste tempo surge o mundo, a natureza, os seres fantásticos, encantados, que dão por sua vez existência e voz aos primeiros seres humanos. Estes não eram classificados por etnia, por cor, por tamanho, por diferença de classes. Na verdade, nem classificados eram. Simplesmente foram humanizados, ou seja, do húmus da terra e do sopro criador, com o impulso dos encantados, tornaram-se gente.
De acordo com esta memória Dessana, somos todos descendentes das primeiras canções dessa gente, que se reconhecia unida á toda a natureza do céu e da terra. Somos unidos por uma raiz ancestral única. Somos todos índios. Feliz semana do índio pra vocês!!!
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