Índios atentam para os megaprojetos do governo

Brasília - De um lado, os megaprojetos tocados pelo governo com o objetivo de criação de infraestrutura e geração de energia. De outro, os índios que lutam para ter condições de permanecer em suas terras. O cenário, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, é de conflito, de acordo com o relato de cerca de 200 lideranças indígenas, que estão reunidas em Brasília em um encontro nacional organizado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Um levantamento feito pelo Cimi apontou 434 empreendimentos que afetam diretamente comunidades indígenas. Desses, 195 são destinados à geração de energia. Outros 166 são de criação de infraestrutura. Os números de hidrelétricas e obras de infraestrutura superam em muito o impacto de obras destinadas à mineração, por exemplo, que somaram 29, segundo o levantamento.

A partir de amanhã (2), as lideranças se juntarão a mais 300 índios e pretendem ficar acampados no gramado em frente ao Congresso Nacional até quinta-feira (5), no movimento chamado Acampamento Terra Livre. Os índios querem, entre outras reivindicações, que o governo desista da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, e que pare as obras de transposição do Rio São Francisco, cercadas de polêmica desde o governo passado quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou a decisão de tocá-las.

“É uma coisa que o governo quer fazer sem conhecer a realidade dos povos indígenas”, reclamou Josinei Nascimento Gonçalves, liderança da tribo Arara, da aldeia Terra Wongã, que fica na chamada Grande Volta do Xingu, região que será afetada pela construção de Belo Monte.

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