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Cidadãos começam a assumir suas identidades culturais


Uma procissão de índios americanos marchou pelas ruas da cidade de Nova York no início de maio, dançando ao som de tambores tribais. Eles vestiam coloridos trajes típicos, usavam cocares e dançavam em círculos, como dita o costume, ao longo de um parque.

Mas havia algo diferente a respeito dessa tribo, a Tlaxcala, e quando a música parou e a conversa recomeçou, a diferença ficou clara: eles falavam espanhol.

O evento era o Carnaval, uma tradição anual celebrada por tribos indígenas da terra que hoje representa o México. E, apesar de séculos de influência espanhola, os originários da região identificam-se por sua herança indígena.

Quando Fernando Meza é questionado sobre sua identidade, ele responde: "Sou índio". "Eles dizem: 'Mas você é mexicano?", conta Meza, um participante do desfile da tribo Tlaxcala. "E eu digo: 'Mas eu sou um índio??.

Meza representa uma das mudanças percebidas no censo de 2010, que mostrou uma explosão de pessoas de origem hispânica que também se identificaram como índios americanos.

A tendência é parte de um crescimento demográfico que ocorreu em todo o país e no qual hispânicos usaram a definição "Índio Americano" para identificar sua raça. O número de índios ? um termo geral para designar os povos indígenas das Américas, Norte e Sul ? que também se identificou como latinos triplicou desde 2000, passando de 400 mil para 1,2 milhão.

"Houve um aumento real e dramático na imigração dos ameríndios da América Latina", disse José C. Moya, professor de história latino-americana na Faculdade Barnard.

Os índios americanos ainda são uma pequena fração do total da população hispânica dos Estados Unidos, que chegou a 50 milhões este ano. Mas a mudança nos dados do censo representa uma maior sensibilização entre os latinos nativos que acreditam que seu patrimônio se estende mais para trás do que as nacionalidades disponíveis no formulário do censo.

A tendência não está ocorrendo somente entre os recém-chegados aos Estados Unidos. Nancy Perez, que divide sua casa com a irmã e os pais, realizou uma reunião familiar para decidir como deveriam se identificar no censo.

Seus pais se mudaram para os Estados Unidos de Puebla, no México, e apesar de sua família ser mista, "se você voltar no tempo, somos indígenas", disse Perez. Índio Americano, eles decidiram, faz mais sentido.

"Sentimos que haviam opções muito limitadas", disse Perez, 32. "De todas as opções disponíveis, essa era a melhor".
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