OS SETE GRAUS DE INICIAÇÃO TUPY

Quando encontrei Werá, o velho, pela primeira vez, foi em uma visita que fiz á sua aldeia. Eu estava caminhando por uma trilha em direção á uma nascente dágua quando ele surgiu de dentro da mata. Simples, pés descalços, a cabeleira grisalha guardando quase um século de vida e os olhos revelando milênios em silêncio. Vinha da roça. Vivia isolado da aldeia. Existia um conflito entre suas opiniões e o comportamento dos guaranis daquela região. Uma das coisas mais surpreendentes, é que falava um português impecável, ás vezes incluindo termos como “vós”, por exemplo, já em desuso neste tempo. Um dos motivos que ele brigava com a nova geração era o fato de ela ser extremamente dependente de favores de estranhos e de assistencialismos governamentais. A sua família era sustentável, vivia da roça, da produção artística, e das aulas que dava na escolinha.
Um dia ele me disse que tupy não era exatamente um povo e nem uma raça, tornou-se sinônimo de povo somente nos últimos quinhentos anos; assim também como guarani. Tupy era um título em que o indivíduo que percorria determinado graus de iniciação, acabava adquirindo. E perguntei-lhe o que era um tupy:
- Tornar-se um tupy, um som-de-pé, ou seja, um indivíduo integrado, consciente de si enquanto uma entidade vibratória e co-criadora manifestada na Terra, filho de Tupã, o Verbo Criador, exigia-se que o seguidor percorresse o caminho guarani, que significa ser um guerreiro interior, ou seja, aquele que conheceu,purificou, dominou e transcendeu a si mesmo. Para isso, havia que se passar por sete graus, para tornar-se um iniciado na tradição. Nestes graus haviam que ser observados, estudados, integrados e praticados: três aspectos a serem dominados, um aspecto de confiança, um aspecto de fusão e um aspecto de libertação.

TRÊS ASPECTOS DE DOMÍNIO:
1) Dominar as mazelas do corpo físico: preguiça, vício, desperdício, gula,
2) Dominar as mazelas da fala: fofoca, calúnia, julgamento, mentira
3) Dominar as mazelas da mente: dispersão mental, pensamento negativo contra si mesmo ou contra alguém, estagnação mental, sobrecarga mental.
UM ASPECTO DE CONFIANÇA:
4) Confiar no espírito intangível e luminoso, bem como nas suas qualidades profundas e sagradas, libertando-se de falsas crenças e de bloqueios.
UM ASPECTO DE FUSÃO:
5) Após a purificação dos aspectos negativos emanados de si mesmo, pelo autodomínio e transmutação através da ajuda da Grande Mãe Natureza, inicia-se uma fusão com as qualidades intangíveis e sagradas, que são: amor, sabedoria, e poder sobre si mesmo.
UM ASPECTO DE LIBERTAÇÃO:
6) A morte, que na verdade é a morte definitiva dos vícios do corpo, da fala e da mente. Trata-se da libertação dos últimos dogmas, preconceitos e visão limitada da vida. Abrir-se para o serviço á vida através da expressão do amor incondicional e da sabedoria.
UM ASPECTO DE RENASCIMENTO:
7) O renascimento. O início do ser revestido com o manto reluzente de plumas azuis.

Comentários

  1. Caríssimo, saudações!

    Sou auxiliar de biblioteca escolar e contamos com alguns títulos seus no nosso acervo. Gostaria de parabenizá-lo por seu trabalho na ajuda da construção de uma nação mais digna para nossa gente.
    Gostaria de colocar essa postagem em meu blog, posso? Claro, fazendo a devida referência.

    Forte abraço e tudo de BOM, BELO,JUSTO e PRÓSPERO!

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  2. Caio Vinicius Martins12 de setembro de 2011 22:46

    Alquimia Tupy!!! Salve a Opus Indigena!! A operação do Solve et Coagula por nossa gente!!!

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