RODRIGO VARGAS DE CUIABÁ Beneficiados com R$ 1,8 milhão em repasses federais nos últimos três anos, quatro postos de saúde mantidos pela Prefeitura de Dourados (220 km de Campo Grande) em aldeias das etnias guarani e caiuá estão em situação degradante, segundo o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul, após inspeção realizada nos locais entre setembro e outubro. Segundo a Procuradoria, os postos das aldeias Bororó e Jaguapiru estão abandonados e não têm condição de atendimento. "Foi encontrado lixo hospitalar em banheiros, arquivos enferrujados, cadeiras rasgadas, portas sem maçanetas, janelas quebradas, salas de atendimento abarrotadas de caixas e com fios elétricos à mostra", diz a Procuradoria, em nota. Fotografias feitas durante a inspeção mostram mofo no teto, cômodos com muita sujeira pelo chão e uma fossa sem tampa. Em maio, segundo a Procuradoria, um dos postos chegou a ser interditado pela Vigilância Sanitária por falta de limpeza na caixa d'água. "O Ministério Público constatou ainda falta de geladeira para acondicionamento de vacinas, de armários para guardar material de limpeza e estantes para os medicamentos em estoque." Três dos postos, segundo a inspeção, foram construídos "abaixo do nível da rua e em terrenos com caída para o fundo". "Quando chove, a enxurrada invade os prédios, trazendo muita lama." Em notificação encaminhada à prefeitura, a Procuradoria pediu informações sobre a aplicação dos recursos federais enviados ao município a título de "apoio à saúde indígena" de 2009 a 2011. A secretária de Saúde do município, Silvia Regina Bosso Souza, disse à Folha que o ofício foi recebido na última sexta-feira e será respondido após o feriado do dia 12. Segundo ela, nenhuma declaração será dada à imprensa antes disso.

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