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Danielle Mitterrand e o Brasil

Danielle Mitterrand amava o Brasil. Apoiou as mulheres indígenas da amazônia que queriam manter sua tradição de gestar e parir filhos de modo tradicional. Apoiou o movimento de reciclagem de lixo coordenado por Dona Geralda, em Belo Horizonte, que hoje é um exemplo para todo o país. Apoiou o Instituto Arapoty em sua utopia de difundir os valores sagrados da cultura indígena do Brasil para resgatar a dignidade das raízes desta nação. Apoiou o movimento que ajudei a articular para criar a primeira reserva da Biosfera em terras de Minas Gerais, que engloba 11 municípios e protege mas de três milhões de hectares do cerrado mineiro no ano de 2003. Criou o movimento "Mensageiros das Águas", com o intuíto de gerar consciência de cuidado e preservação dessa preciosa fonte da vida, que tem sido tratada como negócio.
Adorava as montanhas de Minas Gerais e sentia-se pacificada com a mata atlântica de minha Itapecerica da Serra, quando nos visitava.
Danielle Mitterand era a presença da ética profunda. Da ação correta. Não tinha meias palavras para aqueles que tentavam persuadi-la com a linguagem do progresso á qualquer custo. Na França dizem que era mais radical que o marido, o ex-presidente François Mitterrand. Mas a sua firmeza elegante e feminina e sua clareza na expressão a faziam ser respeitada por adversários e mesmo pelos seus críticos mais ácidos.
Ela não fazia alarde em terras brasileiras, a não ser nos momentos de eventos onde o fato de ter sido primeira dama da França acabavam exigindo certo alvoroço cerimonial. mas ela aproveitava inclusive isto para promover causas humanitárias, que na sua visão eram o que verdadeiramente necessitava de alarde e solução.
Por isso, neste momento de sua passagem, agradeço publicamente a sua semeadura nesta terra, foi sincera, profunda e deixou frutos. Salve! Seus frutos agradecem!!! Ascensão e Luz, Madame Mitterrand!
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