Pular para o conteúdo principal

Veja não vê, não ouve, não aceita luta Kaiowá


Professores Kaiowá e Guarani se posicionam sobre matéria da revista Veja

 COMISSÃO DE PROFESSORES KAIOWÁ GUARANI SOBRE REPORTAGEM DA REVISTA VEJA

Ao contrário do que escreveram os jornalistas da Revista Veja, Leonardo Coutinho e Kalleo Coura, quem luta pelos territórios tradicionais é sim o povo Kaiowá e Guarani. Somos nós que estamos retomando nossos territórios antigos.

A matéria publicada foi racista, preconceituosa, discriminatória, estimulou o ódio contra os povos indígenas. Tenta desmotivar o nosso povo, ignora que nós temos língua própria, sentimento próprio, natureza própria. Não fala que a gente sabe o que a gente quer. Acaba colocando as pessoas contra nós, não a favor.

A revista Veja não está a serviço dos indígenas, nem dos mais pobres. Está a serviço de quem manda. Age com coronelismo. Parece estar a serviço de quem paga.

Os jornalistas precisam estudar mais um pouco. Conhecer o que é índio, o que é cultura, o que é tradição, o que é história, o que é lingua, o que é Bem Viver. A terra, para nós, é o nosso maior bem viver, coisa que ainda a imprensa não entendeu muito bem. Não entendeu que é possível escrever coisa boa sem prejudicar.

O povo pobre não tem acesso à imprensa, quem tem são os latifundiarios e os emrpesarios. São eles que comandam. Nós somos brasileiros, somos filhos da terra. É preciso valorizar todas as culturas, o que a imprensa não faz. Mas precisava fazer.

O direito à terra é um direito conquistado pelo povo brasileiro que precisa ser cumprido. E é possível fazer essa luta com solidariedade, com amor, com carinho, que é a competência do ser humano. Não é com maldade, como fez essa reportagem.

A matéria quer colocar um povo contra outro povo. Quer colocar os não-índios contra os indíos. Essa matéria não educa e desmotiva. Ao invés de dar vida, ela traz a morte. Porque a escrita, quando você escreve errado, também mata um povo.

DOURADOS, 5 DE NOVEMBRO DE 2012

Fonte: Cimi Mato Grosso do Sul 

1 comentário

Postagens mais visitadas deste blog

NOSSAS RAÍZES PRECISAM SER RESPEITADAS

Kaká Werá fala sobre a questão indígena

Quatro atitudes de paz que nos tornam ricos

Não sabemos muitas vezes definir a palavra paz, mas quando a ouvimos, algo de bom ressoa em nossos corações. Onde há paz, há riqueza em todas as suas dimensões: social, econômica, ecológica, e pessoal.  Mas embora seja difícil definí-la, podemos pelo menos refletir sobre o que nos põe fora dela e o que nos aproxima, integrando-a. Na sabedoria ancestral são reconhecidas quatro atitudes que nos distancia de sua luz : A primeira atitude que a torna longe de nossa presença pacífica é a ideia de separatividade. Os mestres de sabedoria ensinam que somos uma só vida desdobrada em muitos, que embora tenhamos uma individualidade, em essência somos uma mesma respiração desa Vida. Mas criamos de nossas individualidades segregações, visões de mundo e sobre nós mesmos  que geraram conflitos diversos, que tem trazido desde tempos imemoriais toda sorte e graus de dificuldades nos relacionamentos e convivências. A  segunda atitude que nos distancia da paz é aquele aspecto julgador que habita em cada…