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Indiodescendente

O Brasil precisa resignificar sua maneira de se relacionar com os povos indígenas, tanto os que habitam ainda em aldeias, isolados ou não da sociedade envolvente, quanto os indiodescendentes. É necessário encarar a necessidade de uma justiça social ampla e profunda em relação ás raízes que fundaram esta nação. Desde os temas considerados espinhosos, como a questão das terras; até reflexões que exigem ações de fundo como direitos humanos e cidadania, identidade cultural e desenvolvimento social.
Ainda hoje vivemos na dependência de pessoas que falam por nós, tanto na câmara federal, nas instituições públicas, nas academias, e inclusive nas artes. Ao mesmo tempo existe no bojo da sociedade um movimento de pessoas que buscam se expressar como cidadãos a partir do reconhecimento das suas origens. Além disso, temos diversos líderes capazes de expressar os desejos, necessidades e idéias dos povos indígenas que demonstram inúmeras contribuições em áreas diversas das tratadas pela mídia em relação á temática indígena;. desde empreendedores sociais como André Baniwa, passando por Marcos Terena e Ailton Krenak; acedêmicos como Daniel Munduruku e Azelene Kaigang. Todos envolvidos com a busca de soluções para suas respectivas culturas tradicionais e também para o Brasil.
Nas grandes capitais, como São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador; cresce o número de cidadãos que auto-declaram sua indiodescendencia, e isto não ocorre por interesse de posses de terraa, mas sim por reconsideração de origens e de estima á sabedoria ancestral. Tenho forte impressão de que este movimento é um sinal de que podemos verdadeiramente honrar nossas raízes nacionais devolvendo aos seus descendentes a dignidade social que tanto merecem. Além disso, tal fenomeno anda de braços dados com a necessidade  de revermos os caminhos do desenvolvimento econômico, colocando a questão ecológica no ponto central para a evolução  do país.

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