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Quando o mundo acaba

foto de Cassandra Cury

Na década de 70 alguns europeus e norte americanos se debruçaram na tentativa de interpretação de dois monumentos da cultura maia, descobertos em 1957, e que foram parar no museu de antropologia do México. Um destes monumentos é um totem, conhecido como Estela 6, do antigo assentamento de Tortuguero (sul do  México, estado de Tabasco) e o outro é a Estela 1, de quintana Roo. Com o tempo de investigações, foi que veio a idéia destes monumentos serem calendários, profecias, oráculos. 
As idéias iniciais ganharam as mais diversas formas de interpretação, leituras, possibilidades; e entre elas a de fim do mundo ou fim dos tempos. No entanto, é bom lembrar que foram todas feitas por pessoas de culturas diferentes das culturas maias, portanto, de olharres e percepções diferentes. Alguns exemplos são: 1.) o entendimento de tempo para os pesquisadores é de que este é linear, com começo, meio e fim; já para os maias e inúmeras culturas americanas ancestrais o tempo é cíclico, evolui em espiral e existe relativamente. 2) Os maias não desapareceram como fumaça, como alguns estudiosos dizem, seus descendentes ainda estão por aqui, marginalizados e destituídos de respeito e dignidade após a invasão da cultura soberba e prepotente que assolou as Américas após o século XVI. 3) O mundo não acaba, o mundo se transforma e evolui á cada momento, como nesse instante agora, girando, vibrando e dançando a dança luminosa do cosmos em inter-relação com todos os sóis e estrelas. O mundo é maior que o Homem. E o menor não pode com o maior. 
Existe o medo coletivo do fim da vida. Esse medo coletivo é a soma dos nossos medos individuais da morte. A sociedade humana moderna não suporta a idéia da morte. Na verdade não conhece o fundamento da morte e da transformação. Embora morremos um pouco a cada dia, fingimos que não. A morte para alguns povos indígenas é a deusa da transformação. É a única capaz de transmutar velhos hábitos negativos arraigados em corpo e comportamento, que impedem a evolução contínua do ser. De modo que, por trás dessas idéias e interpretações que os norte-americanos e europeus fizeram de um lapso da cultura ancestral maia, está presente uma crença mal compreendida a respeito da vida e seu verdadeiro progresso através dos períodos necessários de mudança e de transformação profunda, que todos nós, conscientes ou não disso, havemos de passar.

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