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O índio está dentro de nós

O índio está fora da política. O índio está fora das novelas. O índios está fora da história. O índio está fora dos livros. O índio está fora dos temas mundiais. O índio está fora do protagonismo social. Quando aparece nos fatos políticos, é como estorvo. Como constrangimento. Quando aparece nas novelas; de décadas em décadas, é como a figuração do figurante que rascunha um estereótipo. Quando aparece na história, fica no meio das paisagens dos pintores seiscentistas. Quando aparece nos livros, é pra registrar que caça, pesca, e nada. Mais nada.
 Nos temas mundiais, ás vezes surge como inspiração de uma possibilidade remota de um sentimento difuso entre nostalgismo e utopismo natural. Nas questões sociais, ele é uma pedra no sapato do assistencialismo nefasto.
O sociólogo e o antropólogo escreveram centenas de páginas de dissertações sobre o tal índio, inclusive no plural. Mas é bom lembrar que não é o intelectual antropólogo e nem o sociólogo que vai empurrar "o índio" para que seja ouvido, percebido em suas dimensões complexas, em seus espaços complexos. Seja aquele do isolado, aquele da floresta, aquele do urbano, aquele do mestiçado, ou aquele da alma que anseia ser expressada. São as próprias diversidades que devem não mais buscar, mas impor e expor as suas multidimensões. E de certa forma, mesmo que superficialmente, isto está acontecendo nas redes sociais.
Os índios de alma, os índios de coração, os índiodescendentes, os mestiços, os caboclos, muito mais que os simpatizantes e os estudiosos, estão se manifestando. Estão se revelando e estão revelando também suas inquietudes, inquietações. Há um movimento difuso no ar. Há um movimento cafuzo no ar. Há uma ordem cabocla no ar, nas redes, nas rodas de discussão.
Essas falas precisam entrar na dimensão política e esgarça-la; repaginar as novelas, rever a história, renovar os livros e revolucionar os temas mundiais. Protagonizar a vida coletiva urbana, como ancestralmente faziam na vida coletiva tribal.


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