Pele Vermelha

Washington Post publicou recentemente uma série de colunas debatendo a necessidade de mudança do nome da equipe local da Liga Nacional de Futebol Americano, o Washington Redskins, a fim de evitar tons racistas. “Redskins” (“pele vermelha”, na tradução livre) seria um desrespeito aos índios nativos americanos.
No dia 28 de janeiro, o Post decidiu não publicar uma pequena matéria sobre o time de natação feminino de uma escola em Bethesda. O motivo foi uma foto que mostrava as garotas com caras pintadas e penas – semelhante a trajes de guerras de índios. “Não quisemos ofender ninguém, caso alguém se sentisse ofendido, e não quisemos que as meninas recebessem algo que não mereciam”, explicou o editor de esportes, Matthew Rennie.
Em sua coluna [10/2/13], o ombudsman indaga se teria havido um “ataque repentino do politicamente correto” no jornal. Ele acredita que não. Matérias sobre escolas são atentamente acompanhadas por editores porque envolvem menores, que não devem estar no mesmo nível de avaliação que os atletas profissionais. Já as colunas sobre o nome do time de futebol americano foram publicadas pois o tema ganhou destaque na mídia, como explicaram os colunistas Courtland Milloy e Robert McCartney.
O Museu Nacional do Índio Americano realizou seu primeiro simpósio sobre nomes de times na semana passada, com Mike Wise, colunista de esportes do Post, como palestrante. Uma ação legal aberta contra o nome do Redskins terá sua audiência inicial em março. E até o prefeito de Washington, Vincent Gray, defendeu recentemente que haja um debate sobre o nome do time.
Patrick Pexton conversou com índios sobre os episódios e concluiu que eles se sentem ofendidos com o uso de penas e a pintura no rosto. Para eles, é como se estivessem se apropriando de suas tradições religiosas e culturais. Cada tribo tem um significado para as cores e penas usadas em rituais. É como se civis saíssem pelas ruas usando uniformes militares, o que é proibido por lei. Os índios também consideram o nome Redskins racista porque ele remete à colonização europeia. Pexton acredita que nem a equipe de futebol nem a de natação tenham tido a intenção de ofender, mas sim de honrar o espírito guerreiro indígena. No entanto, diz ele, é preciso respeitar o que pensam os índios.

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