Saindo do Inverno

O hálito do dia sopra uma neblina fria junto com a noite. Amanhã haverá sol. Pequenas ervas, pequeníssimas, brotam entre as saliências do asfalto, inclusive uma florzinha, amarela. Como naquele poema de Drummond, uma flor nasceu na rua. O silêncio deixa sua presença na praça, por alguns segundos e o vento o sacode limpando com luz o tempo. Tudo isso é indício de que uma primavera está prestes á ser anunciada.
A velocidade dos carros não deixa as pessoas perceberem isso. Nem o transe dos olhos da multidão sem pupila que caminha nos dois sentidos nas calçadas. Vão e vem. Pra onde?
A cidade sub-vive. Os parques tentam cura-la. Os animais passeiam com os homens pela coleira, dando um pouco de sentimento para o reino humano.Que seria de nós, sem os animais?
A vida busca se mostrar através do céu que se limpa, do som das crianças brincando, de alguns sorrisos que iluminam-se na multidão. A vida respira nos passos enquanto o coração bate.
O inverno se vai aos poucos, com seu silencio que corta.

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