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Teatro e Resistência na cultura indígena

O teatro serviu para cobrir o espírito da cultura dos povos indígenas  sob a direção de José de Anchieta, e teve como palco inicial o Pátio do Colégio, na São Paulo do século XVI. A dramaturgia que foi trazida para estas terras tropicais se utilizou de Gil Vicente e seus autos, e foram cultivando nas culturas locais a idéia de inferno, diabo, pecado e arrependimento. Além disso, propagou a desqualificação dos saberes pré-cabralinos.
Com o passar do tempo, os povos indígenas passaram a representar papeis muito distantes daquilo que são, passando a atuar como vítimas pedintes e tuteladas ou crianças.
Em um determinado momento da década de 1980, lideranças indígenas desenvolveram uma estratégia, surgida a princípio entre os Xavantes e os Guaranis, de; aos poucos, assimilar as ferramentas da sociedade chamada civilizada: seus códigos, tecnologias, pedagogias; e utilizá-las como modo de veicular os valores e a visão do mundo das matrizes ancestrais do Brasil. Afinal, embora sufocada, a essência e o espírito de cada cultura nativa continua presente sob o figurino e o palco da colonização.
Hoje as culturas indígenas estão vestindo calças jeans, camiseta, vendo televisão, escrevendo, utilizando outras formas de expressão, mas trazendo uma essência de valores que vem de raízes milenares desta Terra. Eis aí justamente a contradição e o ponto de resistência: fazer com que o ser humano descubra que cada um, independentemente de idioma, etnia, raça, cor, continente, é no sentido de ancestral, um filho da Terra. Abrir á sociedade a noção de que todos nós trazemos a presença de uma natureza dentro de nós, todos nós somos índios no sentido de conexão com matrizes culturais que fundam o mundo e são inseridas em diversos ecossistemas, que são transformados pelas ações humanas; que por sua vez também transformam o ser humano.

Nesse sentido, o teatro contemporâneo pode ser usado como uma espécie de descatequização, ou seja, um veículo pedagógico, como Anchieta o fez, para corrigir através da arte as mentes distorcidas da atual civilização.

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