Propostas de um índio para o senado

O papel do senador possui pouquíssimas características que se diferenciam do papel dos deputados. Enquanto a câmara, através da ação do conjunto de seus representantes, devem ser porta-vozes do povo; o senado representa o estado e tem por obrigação gerar, valorizar e atrair propostas de políticas públicas e leis que possam colaborar com o desenvolvimento do estado em diversos níveis: econômico, social, cultural, científico e ecológico.  
Como candidato a senador pelo Partido Verde, antes de qualquer coisa, tratarei cada um destes níveis a partir da premissa da manutenção do equilíbrio ecológico como fundamento em todas as questões, desdobrando em ações que devem primar por cuidado e respeito á todas as formas de vida, identidade e diversidade cultural. Será um olhar verde do estado de São Paulo para o Brasil; mas profundamente enraizado nas matrizes afro-tupi. Matrizes estas que possuem no seu DNA uma habilidade nata de relacionamento equânime com os ecossistemas.
No entanto, a posição do Partido Verde e também a minha é a de que o senado é uma sobreposição de funções e tarefas, pois tudo que é de responsabilidade da câmara federal também é do senado, e tudo que é votado em uma instância também assim é na outra. Além disso, ele tem um custo altíssimo para a nação. No programa de governo que nosso candidato a presidente Eduardo Jorge defende, é proposto a gradual extinção do senado através de uma fusão com a Câmara federal, diminuindo também o número de representantes. Por isso, as propostas que aponto para o senado, não pressupõe a sua continuidade, e os temas que proponho são considerações que independem da permanência desta instituição, mas considero imprescindíveis para São Paulo.
Destaco sete eixos temáticos a serem considerados como fundamentais para esta nossa metrópole atingir um salto qualitativo no seu desenvolvimento. 


  1. Educação: Enfoque na melhor qualificação de quem aprende e de quem ensina, pois São Paulo forma, infelizmente, nas escolas públicas, analfabetos funcionais. Isto porque o professor não tem tempo de aprofundar seus saberes e didática, além de ganhar mal; e o estudante não tem oportunidade de ficar o período integral na escola, aperfeiçoando-se culturalmente, tecnicamente e praticando esportes. 
  2. Cuidado com as águas: a questão das águas exige o foco em um tripé de ações: a) combate ao desperdício, promovido pelo próprio estado, onde cerca de um terço da água se esvai pelo não investimento em manutenção e tecnologia atualizada. b) estimular uma política pública de re-uso das águas e c) preservar nascentes e eecossistemas. 
  3. Mobilidade: diversificar os meios de transporte, investindo em qualidade de ferrovias e tornar a navegação em determinados rios possível. Investir em combustíveis não poluentes, e controlar a emissão de gases nas cidades com mais de 200 miil habitantes.
  4. Energia: Incrementar o uso da energia solar e em alguns casos, eólica, como estratégia econômica e ecológica. Promover a economia através do investimento na descarbonização da energia.  
  5. Valorização da agricultura familiar e investimento no sistema orgânico de plantio, precisamos desintoxicar a terra. Não há qualidade de vida e saúde de fato se não chegar á nossa mesa alimentos verdadeiramente saudáveis.
  6. Cultura de Paz: A implantação de uma política de cultura de paz será crucial para o avanço do estado de São Paulo. A promoção do respeito á diversidade cultural; o combate á discriminação de raça, credo, cultura e o equilíbrio entre direitos e deveres humanos são ações imprescindíveis para nosso estado cosmopolita.  Uma das propostas do PV é transformar o sistema carcerário de universidades do crime para universidades de regeneração e cidadania através do tripé: trabalho, educação técnica, orientação social sistemática. Devemos equilibrar punição com regeneração.
  7. Índios/Diversidade: A situação indígena em São Paulo, particularmente na capital, é degradante porque o estado nunca se preocupou em aplicar uma política pública específica, que estimulasse a sustentabilidade econômica e social e a valorização cultural dos povos, como também o fortalecimento de uma cidadania dos remanescentes indígenas e seus descendentes, através do favorecimento de uma educação diferenciada, respeitando a particularidade de seus saberes
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