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Indio e metrópole

Em São Paulo existe , de acordo com o IBGE no censo de 2010, 37.915 índios em todos o Estado.  São 29 terras indígenas e dessas, apenas 12 demarcadas e homologadas. No entanto, nem todo este contingente habita em aldeias, pois há uma grande população de índios urbanos, que moram nas periferias da metrópole.
Estas pessoas foram empurradas para o estado por diversos motivos, que vão desde ameaças em suas regiões de origem, até a busca de melhores oportunidades para estudar e trabalhar a partir da desagregação de suas culturas originais. Como no caso dos povos oriundos do nordeste e do sudeste brasileiro.
Este fenômeno de migração acontece desde a década de 60, tendo se acirrado nos anos 80 onde também ocorre um processo de organização desta diversidade em busca de reconhecimento de suas identidades, oportunidades de geração de renda, e qualificação através da educação.
Minha família passou por este mesmo processo no início dos anos sessenta, quando migraram do norte de Minas Gerais e vieram morar na capital desta imensa metrópole, ao lado da última aldeia guarani da zona sul de São Paulo. Se apresentaram como trabalhadores rurais e depois se tornaram prestadores de diversos serviços na cidade, mas isso lhes custou a ocultação da identidade indígena para transpor os obstáculos do preconceito e da discriminação.
Por isso hoje me identifico com todos os cidadãos de origem indígena de São Paulo que só querem restabelecer a dignidade de suas origens ancestrais, o reconhecimento enquanto cidadãos brasileiros e oportunidades de aprendizado em um sistema de educação de qualidade, que dignifique quem aprende e quem dá aula.
Queremos uma escola que se fundamente no respeito á diversidade e dê enfase á uma pedagogia fundamentada em valores humanos e cultura de paz, pois acredito que esta é a única maneira de abarcar as múltiplas fazes que é este complexo estado chamado São Paulo, terra de mil povos.

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