Kaká Werá é homenageado pelo pioneirismo na literatura indígena


A literatura indígena no Brasil nasceu no inicio da década de 90. Mais exatamente em 1993 apos a publicacao do livro "Todas As Vezes que Dissemos Adeus", de minha autoria.  Em seguida veio o livro  "Coisas de Indio", de Daniel Munduruku. E a partir de entao comecamos a estimular o surgimento de escritores indigenas.  Criei nesta época um selo para o fomento, mas nao deu certo, e depois a editora peiropolis, que havia publicado meus livros seguintes, se interessou em lancar um selo para publicacao de escritores indigenas. 
Alguns antropólogos na época achavam que índio não podia escrever, e ate me questionaram por isso. Mas hoje são quase 50 escritores indígenas no Brasil e já somam próximo a um milhão de exemplares vendidos; em sua grande maioria catalogados como literatura infanto-juvenil. 
Alguns escritores indigenas tem uma produção regular e escrevem muito, como Daniele Munduruku, Olivio Jecupé, Eliane Potiguara e Yaguare Yaman. São referencias recorrentes em salões literários e bienais do livro.
No inicio dos anos noventa achava que o fato dos próprios indios e descendentes escreverem sobre suas culturas serviria para recuperar também territórios de idéias, cosmovisões, e de subjetividades que também foram destituídas.
A desestruturação social veio acompanhada também de desestruturação de alma e alto estima. Eu sabia que ao tocar, pela literatura, na valorização de saberes, isto poderia refletir no fortalecimento desta alma coletiva e diversa que formam as raízes que fundaram verdadeiramente o Brasil. Por isso, quando Pedro Bial, em evento  da Fundação Nacional do Livro Infanto-juvenil, presta uma homenagem pelo meu pioneirismo, penso que é o reconhecimento do início do resgate da dignidade do espírito coletivo de diversos povos ancestrais.

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