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Envolvimento Sustentável



O Brasil é o país da diversidade cultural, hoje e também muito anterior á sua fundação. Esta multiplicidade de culturas milenares que por aqui habitavam desenvolveram modos de vida peculiares, mas havia em comum o fato de que levava em consideração uma relação econômica mediada por crenças e valores ligados aos respectivos ecossistemas por onde circulavam. Entre os principais valores, destaco: a consideração do ambiente como entidade viva e a utilização de seus recursos com parcimônia, consciência de manejo e cuidado. Podemos denominar este sistema econômico de “economia do cuidado”.
Atualmente, esta diversidade específica, espalhada por todo o Brasil e tantas outras diversidades de origens; divide-se em três dimensões, além da sua multiplicidade étnica: as culturas isoladas, que permanecem respectivamente nos seus modos de vida tradicionais; as culturas aldeadas, mas que interagem com a sociedade não indígena em diversos níveis, procurando assimilar também seus códigos de conhecimento e com o desafio de manterem valores tradicionais; e as culturas desaldeadas, que vivem nas periferias e áreas urbanas das grandes cidades buscando alternativas de subsistência, resistindo culturalmente e enfrentando crises de identidade e exclusão social.
Por entre estas diferentes realidades permeiam exemplos de comunidades que recriaram modelos de desenvolvimento baseados nos valores tradicionais e ao mesmo tempo aderindo á estrutura capitalista de geração de renda. Como é o caso dos Ashaninka, que produzem o urucum para vender, mas o faz com uma alta consciência de manejo. Como também o caso dos Baniwa, que produzem seu artesanato, negocia com lojas de alta rotatividade das metrópoles, mas não alteram seu ritmo de produção de acordo com a demanda do mercado, mas de acordo com a manutenção dos limites do ecossistema de sua região.
É claro que o exemplo dos casos não tem por objetivo mostrar que é a alternativa para um projeto de política econômica de desenvolvimento. Mas podemos pensar que em uma sociedade complexa e diversa, que caminha para a consciência da interdependência; há que se abrir para a possibilidade de acolher diversos pequenos sistemas econômicos baseados em valores locais, no cuidado social e ambientalmente no manejo adequado.
A questão é que nós ainda usamos a palavra desenvolvimento atrelada ao atendimento de necessidades e consumo. No entanto, uma parcela da sociedade está evoluindo para uma consciência mais atrelada á atendimento de valores e produção de conhecimento. Inclusive no meio do primeiro setor, muitas empresas já perceberam que existe um tipo de consumidor não compra mais um produto em si, mas o valor que ele representa.
A questão de indicadores de riqueza também é algo que precisa ser revista. No Brasil e no mundo, tudo que se vende, inclusive armas e drogas, servem como indicadores de riqueza; mas qualidade de vida não.  Será que é primitivo pensar em uma sociedade onde valores que integram diversidade, respeito mútuo, cooperatividade e indicadores que consideram o equilíbrio ecológico como riqueza, por exemplo.

Ou seja, podemos perceber que existe a possibilidade real de haver um modelo de desenvolvimento relacionado á evolução: individual, social, ecológica. Em detrimento a um modelo velho ainda relacionado á exploração indiscriminada de recursos, indivíduos e culturas. Mas antes, para isso, é necessário haver um envolvimento. Envolver sustentavelmente para desenvolver civilizatoriamente.
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