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VIVA AS MULHERES INDÍGENAS! RESILIÊNCIA E CONQUISTAS

Este ano está sendo muito difícil para a questão indígena no Brasil. Na câmara federal sucessivas tentativas de aprovar uma lei que transfere a responsabilidade de demarcação de terras do poder executivo para o poder legislativo, que tem na maioria de sua composição deputados contrários aos povos indígenas,  á diversidade e a idéia de preservação de florestas. 
Os meios de comunicação de modo geral insistem em transmitir fragmentos desta diversidade cultural que estimula ainda mais o preconceito e a visão de que são culturas ignorantes e cheias de crendices; quando dá ênfase nas flechas atiradas contra a polícia em manifestações de defesa de seus interesses, quando fala sobre a obstrução de estradas no norte do país por parte de algumas etnias mas não explica que é um ato de resistência política, quando enfatiza as imagens das etnias isoladas que respondem com desconfiança e susto as tentativas de aproximação da chamada civilização. 
A mídia não aprofunda o fato de que por trás pressão para mudança da lei está o interesse de exploração indiscriminada do subsolo amazônico e seus minérios que aguçam as investidas de desejos de lucros sem escrúpulos.  Também não relaciona que a continuidade da devastação da floresta é também um dos principais propósitos desse imenso grupo parlamentar que praticamente domina o congresso nacional.
As 32 áreas que estão na mesa do Ministro da Justiça para serem demarcadas são resultados de longos períodos de estudos antropológicos e jurídicos e algumas estão na fila a 25 anos, desde a promulgação da constituinte de 1998, quando o congresso estabeleceu o prazo de 5 anos para a demarcação das terras indígenas.  
O lado positivo para a cultura indígena continua sendo sua capacidade de resistência, de contar com apoios diversos de instituições e sociedade civil, e de permanecer atento ás investidas de seus opositores. Individualmente tivemos o reconhecimento e premiação de algumas de nossas guerreiras como Eliane Potiguara, escritora e ativista para  a questão da mulher indígena, que recebeu o prêmio da Ordem do Mérito Cultural do ministério da Cultura. Além de Ysani Kalapalo, nossa guerreira da juventude, que passou em um concurso para estudar em Harvard, o que contribuirá inevitavelmente para novas pontes e estímulos interculturais.  Grandes mulheres, orgulho das culturas ancestrais, parabéns!!!
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