Militarismo é avô da crise de sustentabilidade e da corrupção


O militarismo no Brasil trouxe como consequência a ditadura, que por sua vez trouxe como resultado o crescimento do desmatamento de modo desordenado, a tentativa de exclusão dos povos e cidadãos indígenas da identidade nacional, e a corrupção através de projetos megalomaniacos e pirotécnicos em nome de um suposto desenvolvimento. Podemos constatar isso na famosa "Transamazônica, que liga hoje o nada ao nada e gastou bilhões de dólares. No projeto Carajás, uma continuidade de uma visão equivocada de progresso.



A ditadura militar calou vozes de jovens, de mulheres, de negros e de tudo que representava uma questionamento ao sistema instalado. Na época do militarismo os índios xavantes, guaranis e krahos foram absorvidos para os quartéis em Minas Gerais, Belo Horizonte, na Pampulha, e treinados para serem auxiliares de tortura de "pau de arara". Em Tocantins, na Ilha do Bananal, os militares arregimentavam karajás, javaés e avá-conoeiros para serem seus serviçais, trabalhadores escravos de suas fazendas, que se erguiam ás margens do Rio Javaés.




O militarismo causou diversos tipos de violencia em nome de uma suposta ordem. Violencia contra pensamentos divergentes. Violencia física através de torturas de pessoas. Violencia ecológica pelo modo de condução de obras públicas e invasão de áreas tradicionalmente destinadas á culturas milenares que as mantinham em equilíbrio. Na época, para por a sociedade urbana do lado militar, folclorizou o índio e criou uma idéia que se generalizou por todo os país, a de que o índio é um estorvo para o progresso.

Foi nesse regime que se criou benesses extravagantes de cargos e salários desconexos com os parâmetros de equidade. Foi nesse regime que foi retirado da Educação as matérias que estimulavam a reflexão, a criatividade e a liberdade de expressão.

A Comissão da Verdade possui um documento chamado RELATÓRIO FIGUEIREDO a respeito de uma investigação feita em 1967, pelo então ministro do Interios Albuquerque de Lima, resultado de uma expedição que visitou mais de 130 posto indígenas que apurou matanças em comunidades inteiras, torturas e toda sorte de crueldades em povos indígenas. Principalmente por latifundiários e funcionários do antigo SPI (Serviço de Proteção ao Indio) que depois veio a ser a FUNAI. Denuncias de caçadas humanas promovidas com metralhadoras e dinamites atiradas de aviões, inoculações propositais de varíola em povoados isolados e doações de açucar misturado com estricnina. O documento tem mais de 7 mil páginas em 29 tomos originais e foi redigido pelo procurador da época Sr Jader de Figueiredo Correia. 


Por isso, quando vejo jovens de hoje pedindo o militarismo de volta, fico pensando no que será que eles conhecem do passado recente do Brasil. Fico tentando entender se eles tiveram o cuidado de estudar, conhecer, compreender, o que foi o País dos anos sessenta até o período do início da retomada da Democracia.  Fico tentando imaginar o que impulsiona estes jovens.

Creio que há algo de verdadeiro que eles almejam, que é o fim da mentira e da corrupção. Creio que eles questionam a falta de valores éticos e morais que podemos constatar ao ver todo o noticiário corrente. Isto é justíssimo e neste aspecto estou do lado deles. Creio que eles buscam uma civilidade verde e amarela genuína, que acolha a diversidade e que tenha uma verdadeira responsabilidade econômica e ecológica. Nisto estou com eles.
Mas militarismo e ditadura jamais.






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