Água não é negócio, é um bem comum.

Lembro-me que em 2001 comecei, com o apoio e a parceria de Danielle Mitterrand, uma série de atividades que incluia seminários, publicações, palestras, com o propósito de difundir a importância de lidar com a água com responsabilidade, cuidado, e garanti-la como um direito de todos. Para isso haveria basicamente a necessidade de realizarmos três procedimentos: não desperdiça-la, despolui-la através de estações de tratamento apropriadas, e considera-la como um bem comum ao invés de negócio. 
Foram anos de trabalho, circulando alguns estados do Brasil e também da França, a partir da Fundacion France Libertes, falando em diversos espaços institucionais nas mais diversas situações. E incrivelmente recebiamos mais atenção na Europa, onde a escassez é grande, do que no Brasil, onde rios e cachoeiras abundam. 
Recentemente, quando tive a oportunidade de ser candidato ao senado pelo estado de São Paulo pelo Partido Verde, retomei a ladainha das águas pois estávamos no início de uma grande crise. E a questão era basicamente a mesma. São Paulo desperdiça, através da própria empresa pública de água, quase 35% daquilo que capta, onde literalmente ela vai pelo ralo. Ao invés de investir em reparo e manutenção, investe em ações, fazendo da água um negócio. A SABESP pede para o povo economizar, cobra o ônus, e ainda insinua que a população é a culpada. 
A crise foi aumentando e a situação foi ficando drástica. E pelo menos para uma coisa serviu; hoje em dia é muito comum qualquer cidadão saber justamente da necessidade de cuidar, preservar, e até honrar, agradecendo  reconhecendo o valor inestimável deste bem, que nos é comum e cuja responsabilidade do estado é grande. Precisamos sentir falta, infelizmente, para descobrir isso. No entanto, o comportamento das políticas públicas para isso ainda engatinha. 
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