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O Sentido da Vida

Acredito que muitas vezes não nos damos conta de que o que nos causa grande insatisfação é o impedimento da nossa auto-expressão em determinados setores de nossas vidas. Situações e fatos vão surgindo em nossos caminhos e vão nos deixando marcas de sofrimento: agressividades, culpas, raivas, mágoas. Assim vamos sendo absorvidos por tais experiências negativas e desalentadoras, carregando- as por longo tempo como uma cruz nas costas.
    A vida me ensinou que não lembramos o mau que causamos as pessoas, mesmo as próximas e queridas; mas não esquecemos jamais aquelas que nos causam mal, mesmo as mais distantes. Me lembro de diversas vezes em minha jornada em que me senti paralisado, achando que todos estavam contra mim ou que ninguém me entendia. 
    Buscava algo mas não sabia o que! Andava em círculos de desânimos e desconfianças. Oportunidades apareciam, mas não as percebia. Quando vislumbrava algo melhor, não me achava merecedor de vivenciá-lo. Mas uma das mais terríveis sensações que tive que suportar foi uma espécie de indefinição existencial, um misto de tédio e solidão. E o incrível é que estas coisas apareciam invariavelmente ao lado de escassez financeira ou carência afetiva. 
     Acontece que normalmente buscamos a felicidade, o bem estar ou a realização pessoal onde ela não está. Um dos motivos é que em uma fase de nossas vidas temos a tendência de achar que dependemos exclusivamente dos outros ou de circunstancias totalmente externas. As vezes almejamos o sucesso do outro, a alegria do outro, o conhecimento ou beleza do outro. O jeito do outro; mas não queremos saber dos sacrifícios e aperfeiçoamentos internos que o outro fez pra chegar lá. Queremos dar o pulo do gato, mas não treinar a habilidade para tal. 
    Outro motivo que nos afasta invariavelmente da felicidade é o julgamento. Somos implacáveis ao apontar os erros alheios. Ás vezes somos assim inclusive conosco mesmos. Somos preconceituosos por uma deficiência cultural e carregamos essa tendência em nossos comportamentos. 
    O incrível é que realmente não percebemos características negativas em nós. A não ser muito tempo depois, quando nos tornamos mais velhos e fazemos uma auto-avaliação de atitudes pessoais e reflexões sobre nossas crenças, mas isso é muito difícil de acorrer, pois para tal deve haver uma busca com certa intensidade e honestidade consigo mesmo. 

    Como qualquer ser humano, já passei por terríveis momentos de infelicidade. Alguns desses duraram anos á fio. Outros duraram horas. Pois por incrível que pareça as vezes carregamos por décadas alguns sofrimentos que na realidade duraram horas, devido ao fato de sua intensidade ter sido tamanha que ficamos presos a determinadas memórias por muito tempo. Se nos libertamos dessas memórias e buscamos entrar em sintonia com o melhor que habita em nós, aquilo que verdadeiramente faz sentido, inevitavelmente seremos melhores. Para nós mesmo e para as nossas relações.
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