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O PODER DO RITO

A falta de ritos faz com que o caos predomine. O caos não gosta de ritos. Além disso, existem tipos de ritos distorcidos de sentimentos e propósitos que reforçam mais crenças errôneas e limitantes do que qualquer coisa. São ritos de perversidade, de manipulação, de humilhação, de promiscuidade, de desestruturação e exacerbação dos sentidos. Mas estes são os ritos trevosos.
A importância dos ritos para a humanidade é ancestral. Na sabedoria indígena se diz que os ritos ajudam a humanidade á se manter na ordem cósmica que se expressa através da harmonia da natureza. Dai se deduz que o objetivo mais profundo dos ritos é promover a integração do ser humano á um estado harmônico.  Pois a natureza é essencialmente a harmonia em atividade. 
Há também um outro sentido para o rito que diz respeito ás convenções sociais, aos deveres religiosos, aos comportamentos coletivos e individuais. De qualquer modo, seu principio parece ser o mesmo: direcionar sentimentos e sensações através de uma forma, linguagem ou modelo que conduza á um aspecto salutar, harmônico, que permita a auto-expressão do ser. O verdadeiro rito, então ganha a dimensão de sagrado e constitui-se de uma pedagogia para o ser em uma direção evolutiva, propositiva, centrado em valores e não em crenças. 
Neste sentido, existem três níveis de ritos a serem considerados, pois dizem respeito á três portais por onde o ser que nos habita se manifesta. O primeiro nível é o do corpo com seu respectivo portal. 
Os ritos para o corpo devem caminhar na direção da harmonia entre o movimento e o repouso; expansão e contração. Assim como o dia e a noite, o sol e a lua, o seco e o  úmido.  Pois sem esse comportamento o corpo estagna. E um corpo estagnado atrai o caos das doenças do corpo e bloqueia o fluxo de energias que recebem dos dois outros portais. 
O segundo nível se relaciona com o portal da mente. É a mente que movimenta os ventos e os trovões do ser. Que são equilibrados pelo rito que conduz á uma correta inspiração e uma correta expiração. É o início do equilíbrio entre trovoes e ventos. 
O terceiro nível se relaciona com o portal do espírito, ou seja, a verdade do que somos. Somos espírito. Nem mente. Nem corpo. A mente é o palco por onde nossa Sagrada Presença pode fluir, uma vez em harmonia com seus ventos e trovões. O corpo é a casa sagrada que abriga o palco e por onde flui a vibração luminosa que verdadeiramente somos. 
Na sabedoria ancestral, o poder dos ritos consiste em servir de uma pedagogia que apoia o ser na condução da Vida misteriosa que flui através desses três portais. 





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