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O SER É UM SOM

Comparando o que o pensamento da sabedoria oriental, africana e indígena afirmam sobre a definição do ser humano, fica claro que somos espírito e não matéria. Aprofundando um pouco mais a definição de espírito, que em sua raiz etimológica adquire também o sentido de “sopro”, existe a mesma equivalência na língua tupi,  cujo nome é “ayvu”. Assim, tradição tupi define o ser como um som, uma vibração.  Quando por sua vez comparamos com os estudos mais avançados da ciência de hoje, particularmente a física quântica; esta também define a matriz do ser como onda e vibração.
Então, como se manifesta essa luz/vibração que somos?  Isto é que é muito importante para absorvermos este conceito de profunda sabedoria. Simplesmente através de quatro aspectos do que nomeamos como fatores estruturantes da consciência:  o pensamento, o sentimento, a intuição e as sensações.
 Em relação a estes aspectos, Carl Jung os considerou como funções psíquicas. Podemos então deduzir que aquilo que pensamos, sentimos, desejamos e intuimos são frequências vibratórias/luminosas em essência. E o que difere tais frequências é a maneira como cada indivíduo as qualifica.
Quando qualificamos algo, estamos dando sentido a algo. E aquilo que damos sentido, é vivo. Independente de ser algo de boa qualidade ou má qualidade, ou de ser uma expressão que gere terror, medo, raiva, ódio, compaixão, alegria, paz, etc. Procede do mesmo princípio, ou seja, é uma vibração. E a responsabilidade da qualidade da vibração é de quem a gerou.  Significa dizer que somos responsáveis pelo que pensamos, sentimos, intuímos e desejamos. Além disso, em cada uma destas instâncias, o que vibramos tem poder de vida, porque damos sentido ao que qualificamos.
Aquilo que damos sentido torna-se crença, hábito, valor, comportamento. E são estes elementos que tecem a nossa personalidade, ou aquilo que a sabedoria tupi-guarani chama de “Nhanderekó“, que significa, “Nosso jeito de ser.”   Por isso é importante refletirmos sobre nossas crenças, valores, comportamentos e habitos, pois isto nos dará pistas de como estamos qualificando nossas vidas através de nossa própria consciencia.
Embora as situações externas do mundo, do ambiente, das conjunturas sociais e econômicas influenciem a nossa realidade, na mesma proporção a influenciamos de acordo com a nossa maneira de expressarmos a consciência. O nosso mundo interior tem predomínio sobre o mundo exterior, porque a vida se expressa de acordo com as nossas projeções internas. Por isso o grande desafio e ao mesmo tempo a chave para  a manifestação de melhor em nós é o autoconhecimento. Pois quanto mais nos conhecemos em suas diversas camadas e níveis de crenças e valores, temos mais clareza e condições de irradiar e expressar o que nos é mais digno.nificante, harmônico, prazeroso, saudável e próspero
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