Pular para o conteúdo principal

O OLHAR DO ÍNDIO SOBRE SI MESMO

19 de abril
No Masp, Dia do Índio tem exibição de filmes realizados por cineastas indígenas, em cinema movido a energia solar

No Dia do Índio, 19 de abril, das 18h às 20hs acontecerão no vão do Masp apresentações de música, canto e dança e a exibição de filmes produzidos por índios brasileiros, com forma de reflexão à data “comemorativa”. Além disso, será lançada a van produzida para o “Cinesolar Tupã”, que levará a partir de maio os filmes para as aldeias.

Um grande evento no vão do Masp (av. Paulista, 1578) marca o Dia do Índio, 19 de abril, terça-feira, das 18h às 20h, em São Paulo. O projeto de cinema itinerante Cinesolar, que utiliza energia solar - limpa e renovável - para a exibição de filmes fará, em conjunto com o projeto Territórios da Dignidade, o lançamento do “Cinesolar Tupã”. Na ocasião, será apresentada a segunda unidade móvel* do projeto e serão exibidos filmes produzidos por cineastas indígenas. A abertura contará com a apresentação de música e canto de Cristino Wapichana, - músico, escritor, compositor e cineasta - que também mostrará seu filme, “Uni/Versus” e uma apresentação do bailarino e coreógrafo pernambucano Carlos Frevo, radicado há 12 anos na Alemanha, que mostrará a dança folclórica cabloquinho, que é inspirada no Toré, dança tradicional do povo cariri. O evento, que é aberto para todos, serve de reflexão crítica à data comemorativa.
Em maio, o Cinesolar Tupã levará filmes a quatro aldeias guaranis, entre São Paulo, Paraná e Santa Catarina, promovendo, segundo o escritor e empreendedor Kaká Werá Jecupé, coordenador nacional dos Territórios da Dignidade, um relacionamento lúdico associado a reflexões sobre questões relativas à cultura, valores e cidadania, em meio à pluralidade étnica da sociedade brasileira. 
Kaká destaca que um dos motes do projeto é mostrar a todos (no Masp) e aos índios (nas aldeias) a produção cultural feita pelos próprios índios. “Nas aldeias, é particularmente importante que conheçam e valorizem a sua própria cultura. A falta de valorização é um dos fatores que leva tantos índios ao alcoolismo e ao suicídio”, afirma.
Segundo a idealizadora e coordenadora do Cinesolar, Cynthia Alario, a junção do projeto Territórios da Dignidade com o Cinesolar “se dá na valorização e difusão dos valores da cultura indígena, o que resgata a dignidade cultural através do cinema: seja na exibição dos filmes produzidos pelos cineastas indígenas, seja através da realização de oficinas nas aldeias que o Cinesolar percorrer”. Cynthia diz ainda que o Cinesolar Tupã busca atrelar temas a ancestralidade e tecnologia. “Tem em sua base a difusão da arte, da sustentabilidade, do cinema e da cultura de paz”, afirma.  
O Projeto Territórios da Dignidade tem como objetivo a difusão de visões de mundo das matrizes indígenas do Brasil, como maneira de expressar seus valores e dignidade cultural.  A coordenação e curadoria em São Paulo é do designer e editor Gregor Ossipof e da arquiteta Cris Gouveia.
Estão confirmadas para o Dia 19 no Masp as presenças de Marcelo Rosembaum, responsável, ao lado de Kaká Werá, pelo projeto junto “A gente transforma”, na comunidade Yanawá, no Acre; de Michele Piovesan, modelo e agente do movimento Parque Minhocão; e de Cris Taqua e Carlos Papamirim, cineastas indígenas Guaranis da Aldeia Rio Silveira.
O evento no Masp é realizado pela Brazucah Produções, Cinesolar, Territórios Indígenas da Dignidade e CDG Editora. Tem apoio do Masp, Rádio Yandé, SPCINE, Surya Cosméticos, Vídeo nas Aldeias, Aldeia.SP (mostra de cinema indígena) e Secretaria de Direitos Humanos de São Paulo.
Van equipada com placas solares que possibilitam, através de um sistema conversor de energia solar para elétrica, a exibição de filmes e apresentações artísticas. No interior do veículo também há cadeiras para o público, sistema de som e projeção, telão e até um estúdio de gravação e edição. Além disso, a van é customizada com a temática indígena.

Sobre o Cinesolar
Inovadora iniciativa brasileira que exibe filmes a partir da energia solar, o Cinesolar, de cinema itinerante, é o primeiro a utilizar a tecnologia no Brasil. Desde 2013 na estrada, contabiliza números positivos à cada sessão. “O Brasil tem um incrível potencial em energias renováveis. E por que não se beneficiar no campo do entretenimento, das artes e da cultura? Nosso objetivo é, além de democratizar o acesso à produção audiovisual nacional, trabalhar com ações sustentáveis que multipliquem a conscientização ambiental e mostrem a força que a energia solar tem por aqui”, diz Cynthia Alario, idealizadora e coordenadora do projeto.
O Cinesolar é equipado com placas solares que possibilitam, através de um sistema conversor de energia solar para elétrica, a exibição de filmes e as apresentações artísticas. No interior do veículo também há cadeiras para o público, sistema de som e projeção, telão e até uma cabine de DJ. Desde o início das atividades, o cinema já realizou mais de 200 sessões em centenas de cidades do País, chegando a cerca de 40 mil espectadores. A economia de energia elétrica chega a 500 mil watts, equivalentes a cerca de 900 horas de uma geladeira ligada sem interrupções.
Os filmes exibidos sempre trabalham questões ligadas à sustentabilidade com foco em três eixos: social, econômico e ambiental. Além das sessões, a iniciativa ainda promove oficinas de cinema, música orgânica e ecografite para crianças e adolescentes. Estas atividades propõem a reciclagem de materiais para a confecção de instrumentos musicais e o preparo de pigmentos naturais, como argila e urucum, nas pinturas produzidas pelos participantes.
O Cinesolar participou de importantes eventos, como o 24º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo e o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA) 2014, em Goiás Velho (GO). Além disso, o cinema realizou exibições de filmes em alguns espaços da capital paulista, como o Largo da Batata, um dos pontos mais famosos do bairro de Pinheiros.
               O ano de 2015 também foi bastante agitado para o cinema. Além de participar de eventos como o 8º Festival Entretodos e o 3º Festival de Direitos Humanos, o Cinesolar realizou circuitos itinerantes. A iniciativa visitou 10 cidades de Norte a Sul do Brasil, com um público de mais de cinco mil pessoas – entre crianças e adultos. Em agosto, o Cinesolar iniciou um circuito que percorrerá, ao todo, mais de 60 municípios paulistas em parceria com o projeto Cinecidade, até março do ano que 2016.
Agora, o projeto lança sua segunda unidade. “Queremos ampliar o circuito do Cinesolar para todas as regiões do País, e por isso nosso objetivo é percorrer mais caminhos. Esse segundo cinema e a parceria com o Territórios da Dignidade, faz com que o projeto, além de levar a magia da sétima arte, possa ser um elemento para a construção de um mundo melhor”, diz Cynthia.
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

NOSSAS RAÍZES PRECISAM SER RESPEITADAS

Kaká Werá fala sobre a questão indígena

Quatro atitudes de paz que nos tornam ricos

Não sabemos muitas vezes definir a palavra paz, mas quando a ouvimos, algo de bom ressoa em nossos corações. Onde há paz, há riqueza em todas as suas dimensões: social, econômica, ecológica, e pessoal.  Mas embora seja difícil definí-la, podemos pelo menos refletir sobre o que nos põe fora dela e o que nos aproxima, integrando-a. Na sabedoria ancestral são reconhecidas quatro atitudes que nos distancia de sua luz : A primeira atitude que a torna longe de nossa presença pacífica é a ideia de separatividade. Os mestres de sabedoria ensinam que somos uma só vida desdobrada em muitos, que embora tenhamos uma individualidade, em essência somos uma mesma respiração desa Vida. Mas criamos de nossas individualidades segregações, visões de mundo e sobre nós mesmos  que geraram conflitos diversos, que tem trazido desde tempos imemoriais toda sorte e graus de dificuldades nos relacionamentos e convivências. A  segunda atitude que nos distancia da paz é aquele aspecto julgador que habita em cada…