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A arte do trovão criador

A expressão "trovão", dentro do contexto da filosofia tupi, se refere ao aspecto "criador" do consciência.  O ser humano é em essência um "trovão" criador. Dotado de relâmpagos que na língua inglesa são chamados de "insights". Há nele também os lampejos intuitivos. Os clarões criativos. Os trovejares das idéias, dos ideais, das possibilidades.
Esse trovão é algo á ser conhecido melhor por cada um de nós. Pois somos nós, mas ao mesmo tempo não temos ciência disso. Embora façamos uso de suas qualidades, pois afinal de contas, é a nossa própria consciência.
Já o vento é o corpo do trovão. O vento é o espírito do ser propriamente dito. Mas é um vento que não se extingue. É o vento da vida que nos habita e que vibra tudo que há. Tudo que é. E esse vento é um tema central de uma ancestral pergunta humana: o que verdadeiramente somos nós?
Uma das mais antigas culturas desse lados das Américas, a tupi-guarani, se debruçou na busca da resposta a essa pergunta e desenvolveu uma das mais ricas, poéticas e complexas filosofias da humanidade;  o "ayvu rapyta", que se traduz como " os fundamentos do Ser". Um conjunto de cânticos, entoados secularmente nas aldeias guaranis, que pouco á pouco foram sendo proibidos pelos antigos missioneiros, até que os últimos pajés cantadores se reúnem em torno de Pablo Werá, e concordam em torná-los públicos. O que é feito por um amigo confiável deles: Leon Cadogan.
Essa história eu conto no livro O TROVÃO E O VENTO, editado pela Polar editorial em parceria com o Instituto Arapoty.  Trata-se não de um resgate de um saber, mas de uma semente de um conteúdo para inspirar um futuro melhor para a nossa querida e amada Mãe Terra e para as gerações que estão chegando. Esse é meu sonho. De poder contribuir com essa semeadura.



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